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17 de abr de 2009

Centenário da Abolição da Escravatura (1888 – 1988)

Os escravos foram libertados pela Princesa Isabel sem nenhuma resistência do poder econômico da época porque a população negra escrava estava (explosão demográfica) causando a falência ou onerando o patrimônio dos fazendeiros da região.
No começo da colonização havia interesse na mão-de-obra escrava porque o Brasil estava num período de desenvolvimento progressista na agropecuária e necessitavam de grandes safras para abastecer o mercado interno e externo.
Foi nesta época que os senhores de engenho e fazendeiros aplicaram muito dinheiro nas matrizes africanas para começar o seu plantel de escravos.
Com as matrizes importadas da África, fizeram os cruzamentos genéticos para aumentar a população negra em toda região do Brasil e garantir a demanda da produção.
Com a explosão demográfica de escravos nativos vieram a saturação do mercado da escravatura e as primeiras crises econômicas e financeiras com a retração do mercado externo. Aqueles animais “humanos” que antes eram bem tratados como animais puro sangue, antes da crise, com a crise populacional das senzalas foram submetidos a torturas e má alimentação pelo extravasamento da problemática e do mau caráter dos senhores sobre os seus escravos.
Com a decadência da escravatura e sua saturação no mercado, essa situação, já começava a afetar o estatus dos senhores feudais.
Foi neste período de crise que apareceram os abolicionistas e conseguiram a libertação do Ventre Livre, dos Sexagenários até a Lei Áurea.
Todo essa euforia de libertação política se processou sem nenhuma resistência da maioria do poder econômico dominante na época e, para confirmar a crise em que se encontrava o país, muitos senhores de minifúndios e latifúndios já tinham alforriado os seus escravos como medida de contenção de despesas muito antes da decretação da Lei Áurea.
A promulgação da Lei Áurea foi mais um artifício político de megalomania da Corte para ficar na História do Brasil.
Se a situação da escravatura e da economia financeira do país estivesse no auge do desenvolvimento, jamais a Princesa Isabel, teria a coragem de sancionar tal Lei e se a fizesse, haveria uma revolução de resistência política e civil.
O que a Princesa Isabel fez, foi aliviar e salvar os latifúndios daquela imensa massa de escravos que iam se tornar ociosos por falta de trabalho braçal e iam onerar mais o orçamento do poder econômico.
Como os brasileiros na época eram semi-analfabetos e de pouca cultura e visão política, aceitaram a libertação dos escravos como uma medida heróica da política monárquica em prol dos negros, quando na verdade, foi para beneficiar os brancos do poder econômico; mais uma vez, houve um blefe da sociedade política dominante contra os negros e o povo brasileiro.
Depois da pseudo-libertação, houve por parte do poder econômico uma admissão de negros livres e imigrantes contratados (assalariados) por tempo determinado e sem nenhum vínculo trabalhista, quando acabasse a colheita, eles eram desativados (demitidos) ficando assim, sem nenhum compromisso para com a classe trabalhadora. Para a classe patronal esse novo sistema foi ótimo e lucrativo por não haver mais compromisso com os negros e ainda ganharam por remuneração outra classe que se escravizaram (a dos brancos) nativos e estrangeiros (imigrantes).
A libertação dos escravos trouxe uma escravidão generalizada com o látego do Salário Mínimo e muitos outros grilhões trabalhistas e torturas emocionais provenientes do novo sistema econômico e monetário.
Ernani Serrea

Pensamento: Quem ama, ama a si próprio. O amor é uma satisfação individual
Ernani Serra