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3 de mai de 2009

Dupla Traição com Duplo Heroísmo

D. João VI foge para o Brasil após a ocupação de Portugal pelos franceses sob o comando de Napoleão Bonaparte.
O Brasil serviu de refúgio para a Corte de Portugal e deu à Família Real estalagem e carinho para que fosse instalado uma corte provisória e por tempo indeterminado.
Como todo povo hospitaleiro, os brasileiros se agacharam demais diante da realeza e acolheram a comitiva imperial com toda a pompa, oferecendo-lhes até, os seus lares, para hospedarem as eminentes figuras da corte portuguesa. Acostumado com aquele gesto tão familiar dos brasileiros em abrir as portas para estranhos e fazê-los senhores, foi assim, que D. João VI começou a se sentir arrogante ao ponto de desapropriar as residências para abrigar o pessoal da Corte e em troca, mandava colocar as letras P.R. (Príncipe Regente) querendo homenagear (o otário) dos proprietários mas, o povo ressentido com o governo monárquico em seus atos despóticos, traduzia a inscrição P.R. como “Ponha-se na Rua” ou ainda, “Prédio Roubado”.
Ao passar dos tempos, D. João VI procurou revogar um antigo decreto de sua mãe que impedia a colônia brasileira de possuir indústrias, de plantar amoreiras, oliveiras e trigo; e foi assim, que o Brasil começou a se desenvolver, graças aos franceses. Não foi por amor ao povo brasileiro e muito menos pelo Brasil, foi por conveniência da própria monarquia visando o bem-estar dos nobres na Corte, pelo seu conforto e prosperidade no usufruto que fizeram as seguintes benfeitorias: Academia Militar e de Marinha, Banco do Brasil, Fábrica de Pólvora, Escolas de Cirurgias, Curso de Economia, Jardim Botânico, Observatório Astronômico, Museu, Biblioteca Pública, Tipografia Régia imprimindo livros científicos, de literatura e um Jornal “A Gazeta”, Fundições de Ferro e novas espécies vegetais como chá e a cana caiana.
Tendo a França perdido a guerra em toda a Europa, volta Portugal para o domínio português e é neste momento histórico que D. João VI volta para governar a sua Pátria, deixando no Brasil, em seu lugar, o Príncipe Regente D. Pedro I.
Ao chegar o séquito em território lusitano, Dona Carlota Joaquina tira os sapatos e raspa-os nas pedras do cais dizendo: “Nem nos sapatos quero como lembrança a terra do maldito Brasil”.
D. Pedro I, por ser um monarca relapso e irresponsável criou em torno de si, muita insatisfação e vários focos de sublevação.
O seu pai, D. João VI, já sentia em seu governo as insatisfações das massas populares e ao partir disse ao príncipe: “Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.
Para evitar que a coroa caísse em mãos de estranhos sem nenhum antecedente real, foi sugerido pelos conselheiros que D. Pedro I desse o Grito de Independência simbólico para acalmar os ânimos exaltados dos brasileiros, e foi água na fervura, deu certo até hoje.
Se realmente D. Pedro I tivesse se rebelado contra o seu país e sua família real, dando a Independência do Brasil, a Corte de Portugal teria excomungado e afastado para sempre como um traidor de sua Pátria (Portugal) pelos laços de sangue da árvore genealógica mas, o que aconteceu foi uma independência por conveniência política e por falsidade ideológica, foi simplesmente, uma farsa encenada para agradar a opinião pública brasileira dentro da sua ignorância política. Temos fatos que comprovam a sua fidelidade ao império português, da seguinte maneira:
a – Quando D. Pedro I quis colocar a sua filha no trono de Portugal foi com o ouro do Brasil que ele financiou a revolução.
b - Quando D. Pedro I adoeceu foi para Portugal que ele optou.
c - Quando chegou no porto de Portugal, o povo português, lá estava ovacionando o seu herói.
d - Quando morreu, os portugueses embalsamaram o coração de D. Pedro I e colocaram num museu, como prova de estima pelos seus serviços prestados a Coroa Portuguesa e também, ergueram uma estátua de bronze em uma das praças de Lisboa em homenagem a memória do seu herói.
D. João VI também deu provas de amor pelo Brasil, ao se retirar para Portugal limpou os cofres do Banco do Brasil retirando todo dinheiro num total de 50 milhões de Cruzados. Ele só reconheceu a Independência do Brasil sob a condição de pagar a Coroa Portuguesa 30 milhões de Libras Esterlinas deixando o Brasil sob a dependência da Inglaterra que nos colonizou por longos anos.
Seríamos o país mais afortunado do mundo, se todos os traidores políticos do Brasil fossem iguais nas traições políticas de D. Pedro I e D.João VI.
D. Pedro I, foi o único político que conseguiu trair duas nações ao mesmo tempo e se tornar herói de ambas até hoje.
Ernani Serra

Pensamento: Confia ao Senhor as tuas obras, e terão bom êxito os teus projetos.

Provérbio 16 – 3 da Bíblia Sagrada