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12 de set de 2009

País do Carnaval


Existiu outrora um país em que, tudo era motivo de alegria, festa, comemorações e muito som, ninguém levava nada a sério, era uma eterna escola musical nesse país do carnaval.
Nesse país, quando haviam eleições políticas era um evento de festa. Nos comícios os candidatos a isso ou aquilo se misturavam com os astros e estrelas das rádios e TV no palanque da demagogia política e davam verdadeiros shows, o espetáculo naquele palco improvisado era tão perfeito que ninguém conseguia distinguir o ator do político e, lá em baixo, na platéia, estava o povo a delirar, a ovacionar, a pular, a cantar, a dançar e tudo se transformava numa ruidosa festa carnavalesca, onde os candidatos a uma vaga na política faziam os seus discursos que não eram nada solene mas, querendo se promover com a miséria do país, com as sujeiras políticas... esses arautos da paz, da honestidade e da felicidade geral da nação, ali estavam, com a fantasia de cordeiro pronto para mudar a máscara de lobo feroz, após a vitória, nos sufrágios das urnas.
Nesse país maravilhoso até a Constituição era um livro musical e as leis ordinárias eram escritas em cadernos de solfejos que o povo aqui e ali, ia cantarolando, assobiando, levando tudo no bico.
A justiça desse país era uma orquestra afinada com a partitura econômica que dava os seus graves e agudos nas músicas populares e folclóricas numa harmonia perfeita, enquanto que, por vezes, desafinavam os seus instrumentos nas músicas clássicas que eram difíceis de executar dentro da escala dos interesses nacionais e internacionais. No papel, as notas eram perfeitas mas na prática era difícil encontrar a harmonia entre a música popular e a clássica por carência de maestros a altura das orquestras sinfônicas.
Nesse país, quando lia-se nos jornais ou se ouvia nas rádios e TV algumas reportagens sobre os crimes: de colarinho branco, contra a economia popular, contra a ecologia, de contrabando de pedras preciosas, ouro, minerais, drogas etc. e dizendo no texto dessas informações que os infratores seriam punidos rigorosamente, logo de imediato, quem as ouvissem ou as lessem, sorriam, com aquelas piadas e os comediantes se baseando nelas, formavam novas piadas ainda mais engraçadas; e os poetas populares adaptavam-nas para as letras dos sambas, para os folhetos de cordel, marchas de carnavais e tudo virava folclore nesse grande país do carnaval.

Ernani Serra

Pensamento: A vida é a recordação do passado, no presente sem futuro e, uma maneira de nos enganarmos a cada dia com novas ilusões.

Ernani Serra