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12 de set de 2009

A Violência


A violência é conhecida de um modo geral como um ato criminoso, brutal e de conseqüências trágicas, mas, nem sempre, ela se apresenta de maneira ativa, como nos casos: de espancamento, ferimento e morte; ela às vezes, se camufla de modo passivo como: a pobreza, fome, desemprego etc.
Quando um marginal seqüestra ou rouba uma pessoa e às vezes mata, todo mundo se revolta (com razão) e exige dos políticos a pena de morte. A Pena Capital é outro tipo de violência camuflada pelas Leis como justa, não deixa de ser uma vingança social tão bárbara quanto a do próprio marginal; é usar o réu como um bode expiatório dos efeitos e erros de uma sociedade que não procura as causas.
Temos nos arquivos da Justiça, inúmeros casos de erros judiciais onde o inocente paga pelo criminoso, sem se falar nos arquivamentos de processos em benefício de infratores primários e delinqüentes marginais que se protegem através de pessoas políticas, de poder econômico elevado, de familiares ou de indivíduos que trabalham na própria justiça e às vezes, de qualquer autoridade que tenha o poder de amparar os infratores contra uma justiça cega que nem sempre pode pesar os crimes e sancionar as penalidades porque os indiciados nem sempre comparecem as audiências jurídicas por causa dos apadrinhamentos anti-justiça. Com essas penas menores se cometem erros e abusos do poder, quanto mais, quando chegar a Pena de Morte.
Enquanto isso, as pessoas aceitam comodamente as violências passivas que são mais graves do que as ativa, porque elas, atingem uma coletividade. Temos como exemplo: os escândalos do colarinho branco e com isso, eles se tornam invulneráveis ao poder judiciário que lhes outorgam, o direito da impunidade total contra os seus crimes e assaltos aos cofres e a economia pública e de caráter privado, repercutindo assim, todos os seus delitos no Estado, que por sua vez, provoca o desemprego em massa e o caos nas empresas vitimadas pelas falências por causa de administradores corruptos.
No âmbito político temos como violência passiva as estradas e ferrovias ligando a nada ou a coisa nenhuma, isto quer dizer, são obras que foram construídas para uma finalidade econômica e social e que, em determinado momento os políticos acharam inviáveis pelo seu alto custo e abandonaram a obra que estava quase concluída, e isso quer dizer, corrupção monetária pela má administração ou má fé dos bens e do capital público e repercute essa queima de dinheiro da nação que, por sua vez, deixa de prestar os serviços ao seu povo que fica mais pobre e abandonado. Outra violência política é a tomada de empréstimos à capitais estrangeiros.
Existem também, a violência econômica, provocada pela ambição e egoísmo dos poderosos que não se sensibilizam com o estado de pobreza do país e ajudam ainda mais no aumento da miséria social com os aumentos constantes dos preços.
São esses assaltos bancários, crimes econômicos, enriquecimento ilícito com desvio de capital para outros cofres em países estrangeiros, crimes ecológicos... que prejudicam a vida duma sociedade que nem por isso se revolta e nem pede a prisão dos responsáveis por esses crimes bárbaros contra as comunidades; nesse ínterim, as famílias vão se enfraquecendo até degenerarem-se numa violência que abrange toda coletividade por causa desses monstros da corrupção.
Existe a violência cultural com um déficit de cultura profissional, isto quer dizer, que a cada dia se ensina menos e no futuro teremos burros ensinando a jumentos.
Quer maior violência do que a defasagem dos salários mínimos que uma família não pode sobreviver nem com o mínimo de boa vontade e que, muito mal, dá para uma só pessoa viver, e isso, gera miséria e criminalidade social.
Onde estão as causas dessas violências individuais e coletivas? Nos criminosos ou num sistema de governo?
Infelizmente, o povo na sua ignorância e ingenuidade, procura sempre, os mais fracos para exteriorizar a sua violência reprimida.

Ernani Serra

Pensamento: Há quem se faça rico não tendo coisa alguma; e quem se faça pobre tendo grande riqueza.

Salomão