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1 de abr de 2010

Era uma vez uma Nação




No reino da imaginação existiu um lugar muito belo, esse lugar tinha uma vegetação exuberante por ter uma hidrografia perene, com um solo fértil e um subsolo muito rico em minerais das mais diversas estruturas atômicas, sem se falar nas bacias petrolíferas e nas pedras preciosas, na fauna e na flora com suas espécimes raras; esse povo, tinha tudo para ser feliz e se tornar uma grande nação mas, infelizmente, era subdesenvolvido, semi-analfabeto e como tal, não tinha amor pátrio e nem visão para alcançar as causas dos seus problemas, indo assim, se acomodando em sua vida lerda, mas na verdade, o que o povo tinha era um governo controlado que se alienava as outras nações desenvolvidas e astutas.

Todas as nações cobiçavam as suas riquezas e não queriam que esta nação pobre de espírito se tornasse tão poderosa quanto as demais, então, foram minando a resistência da pobre nação com um tal problema econômico financeiro que se chamou de PROGRESSO. Em nome do “progresso” foram enfiando de garganta a dentro uma avalanche de bens de consumo que no começo eram importados e depois por uma invasão de indústrias que operavam mais nas exportações do que nas necessidades daquele povo; ia ficando marginalizado por não estar preparado para dominar a moderna tecnologia e, simplesmente, se fez um espectador e consumidor, daí por diante, veio os problemas nacionais como: a demografia cresceu mais do que o mercado de trabalho e gerou desemprego, fome, miséria social...; por ter uma população de baixa renda, as necessidades do povo foram exportadas como excedentes, tornando assim, a mão de obra mais barato e o mercado de trabalho se aproveitou da situação para conservá-la sob jugo de escravidão salarial; por não haver poder aquisitivo nas massas trabalhadoras, o mercado de trabalho foi diminuindo, inversamente proporcional ao crescimento demográfico; por não haver expansão de mercado não houve interesse em especializar a mão de obra que se tornou ociosa; por falta de produção desse mercado não houve interesse em modernizar as indústrias; enquanto as taxas de bancos subiam, o valor monetário caia dentro do império inflacionário e a nação a cada dia ia pedindo socorro.

Um dia, saindo de uma garrafa, apareceu um Gênio e disse para o seu libertador: O que queres de mim? Eu só tenho poderes para três pedidos. Diz logo, o que queres?

___ Oh! Poderoso Gênio, tira o nosso povo do sofrimento da inflação!

___ E num passe de mágica tudo melhorou e o Gênio perguntou: estás satisfeito?

___ Sim grande mestre, mas, está havendo outro problema.

___ Qual é o segundo pedido?

___ Está havendo especulação no mercado.

___ O Gênio criou um exército de fiscais e tudo voltou ao normal.

___ Qual e o terceiro pedido?

___ Sr. Gênio, eu lhe imploro neste terceiro pedido, desfaça tudo o que fez e deixe como estava antes!

___ O Gênio indignado perguntou: por que queres a miséria do teu povo?

___ O povo está consumindo demais não tem dinheiro que chegue e nem produção que abasteça a fome canina desta nação. Por favor desfaça a sua mágica!

E num passe de mágica tudo ficou pior do que antes.

Antes de ir, o Gênio disse uma prosa:

Aí está um povo que ficou a mercê do seu próprio destino;

em uma nação que ficou a deriva no oceano das ilusões;

ao sabor das poderosas ondas da ambição;

em rumo dos abrolhos da destruição inflacionária.

Por: Ernani Serra

Pensamento: Gênio é aquele que usa a sua inteligência racional para o bem estar da humanidade.
Ernani Serra