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18 de dez de 2010

Ensaio das Fòrmulas Econômicas


Temos dois tipos de fórmulas econômicas para países capitalistas do 1º e do 3º mundo.

Para países desenvolvidos e ricos do 1º mundo o sistema adotado é de uma política econômica que oscila em algum momento para desinflação e em outro para uma inflação controlada e por tempo determinado.

Com exceção do Japão que optou por uma política de consumo e desenvolvimento progressista em ritmo contínuo onde não há inflação porque o governo ajusta a política a um sistema de expansão mundial, ganhando assim, espaços na colocação de seus produtos através de uma invasão competitiva de qualidade e de preços mais acessíveis no mercado exterior. É dessa maneira que o Japão se tornou um país industrializado e um dos maiores exportadores de manufaturados e de mão-de-obra especializada do mundo, conseguindo assim, a valorização da sua moeda acima do Dólar americano através de uma reserva de capitais com um superávit real muito acima dos cem bilhões de Dólares (algumas décadas atrás) sem nenhuma aplicação, porque os excedentes monetários foram todos aplicados no mercado interno e externo; talvez seja um dos poucos países do mundo capitalista com uma reserva de divisas tão alta em estoque na Balança de Pagamentos.

Todo esse êxito do Japão se deve ao seu povo, povo este, que foi educado com um princípio nacionalista e que, se rendeu na II Guerra Mundial por imposição de duas bombas atômicas em Nagasaki e em Iroshima mas, espiritualmente não se entregou ao invasor e continuou a lutar com outra arma tão poderosa quanto a atômica, a da economia, em busca da liberdade do seu povo e da soberania nacional e hoje, eles são livres e vitoriosos.

Agora vamos falar dos países capitalistas do 1º mundo que em determinada fase de expansão econômica o seu governo escolhe outro caminho para diminuir o progresso do seu país; em economia existem esses ajustes e artifícios políticos que ora beneficia o povo e em outra ora prejudica esse mesmo povo. O que existe por trás disso tudo é um temor de socialização dos países e das grandes empresas de perder a hegemonia no âmbito político-econômico com o crescimento das médias e microempresas competindo com o poder econômico todo poderoso.

É nesse momento de emagrecimento econômico dos países ricos que os políticos aplicam:

1 – A DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA NO CÂMBIO NACIONAL – para que haja mais aceitação das exportações em benefício do Estado e das outras nações que compram mais pagando menos em Dólares, causando assim, um prejuízo ao povo que vai pagar maiores tributos ao governo por exportar as necessidades do seu povo como excedentes, forçando o país, a entrar em regime inflacionário.

2 – MAJORAÇÃO FISCAL – é um artifício de captação de recursos internos para melhorar o saldo dos cofres públicos do Estado em detrimento do poder de aquisição do povo que sofre o impasse pelo repasse duplicado ou triplicado imposto pelo poder econômico que nunca perde para o governo. Com os aumentos fiscais, cria-se no mercado interno, a crise da elevação do custo de vida. Com a elevação do custo de vida é promovida à alta dos juros bancários e dá margem a inércia do capital pela usura da rede bancária e a nação começa a parar em seu estado de regime alimentar e de fraqueza econômica pelo emagrecimento do poder de compra.

3 – EMISSÃO DA MOEDA – quando isto acontece entramos em regime de inflação e de desgaste monetário, a moeda vai valendo menos e as mercadorias superam o valor do poder de compra, com estagnação dos estoques no mercado e a diminuição da produção ocasionando as falências e concordatas.

4 – REDUÇÃO DE DESPESAS – o governo do 1º mundo começa a impor um sistema de contenção de despesas públicas eliminando os supérfluos e a burocracia que aumentam os gastos.

5 – REDUÇÃO DA TAXA DE PRODUÇÃO ANUAL – é um meio de empobrecer e frear o desenvolvimento da nação, baixando a produção bruta para um mínimo ou para uma média planejada. Com essas redução de produção interna vai gerar desemprego em massa, o mercado interno vai perder o estoque, o custo de vida vai aumentar pela maior procura e menor oferta do mercado.

Todos esses artifícios e muitos outros aplicados pelas nações super-desenvolvidas causam um impacto de diminuição de riquezas ao seu povo por um determinado tempo. Quando o governo sente que a inflação chegou ao seu ponto crítico e de perigo para o Estado, então, é invertido todo o sistema econômico- financeiro e volta ao crescimento lento e contínuo.

Esse jogo de xadrez pode ser praticado pelos países ricos sem xeque-mate porque eles têm moeda forte, um mercado de exportação mundial que lhes dá a garantia de conservar o superávit e também, porque existe um lastro em ouro que garante a moeda estável e forte, e também, as exportações e importações.

Agora vamos falar dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento do 3º mundo.

Como se viu anteriormente, nenhuma daquelas fórmulas econômicas aplicadas nos países do 1º mundo, poderão se equacionar ao estado físico do 3º mundo, se assim o fizerem, vai levar o país ao estado de coma que vai gerar caos, revolução e escravidão.

Para desenvolver os países do 3º mundo se faz necessário as seguintes medidas:

1º - Conseguir uma reserva em ouro para formar um lastro que caucione todo o comércio de importação e exportação. Esse lastro ouro vai fortalecer a moeda nacional ao ponto de ser aceita no câmbio internacional.

2º - Expandir o desenvolvimento da agropecuária para produzir super-safras que determine a baixa do custo de vida no mercado interno e capte divisas com as exportações dos excedentes.

3º - Preservar toda a matéria-prima para que ela possa ser sempre uma fonte de riquezas para as indústrias de manufaturados, e evitar a exportação da matéria-prima em estado bruto, que sai a preços não rentáveis para o Estado, que depois importa dos compradores estrangeiros os manufaturados daquela matéria-prima a preços exorbitantes.

4º - Aplicar leis para que as divisas das multinacionais fiquem dentro do país.

5º - Desenvolver o mercado industrial e o comércio para que haja o mínimo de desempregados e o mínimo de dependência com o mercado externo.

6º - Desenvolver uma política salarial de aquisição máxima para todos os trabalhadores, promovendo assim, uma elevação do consumo, da produção, da expansão do mercado, emprego e a promoção de um bem-estar social.

7º - Valorização da moeda nacional e a desvalorização do Dólar para que o país possa importar mais as suas necessidades a preços mais baixos e trazendo uma estabilidade sócio-econômica e política.

8º - Fiscalizar e controlar todos os preços e qualidades dos produtos tabelados ou sob congelamento. Isso é primordial em todos os países capitalistas do 3º mundo de livre iniciativa para manter o mercado em nível e sob o controle do governo.

9º - Evitar gastos desnecessários e corrupções políticas, econômicas e financeiras nas administrações públicas e de capital privado.

10º - Evitar as importações desnecessárias. Nunca se comprometer com empréstimos internacionais e procurar viver com o que tem dentro dos padrões nacionais.

11º - Procurar o intercâmbio comercial como alternativa de complementar as necessidades do país. Manter um relacionamento comercial com todos os países na área de exportação e importação, dentro de um comércio livre e sem protecionismo, caso contrário, será sempre escravo dos interesses internacionais.

Toda nação do 3º mundo que se comprometer com os modelos econômicos do 1º mundo está fadado a piorar a sua crise; porque o remédio deles é de emagrecer e do 3º mundo é de engordar, temos então, doenças e remédios com efeitos inversos.








Por: Ernani Serra
Pensamento: A grandeza de um país não depende da extensão de seu território, mas do caráter de seu povo.
Colbert