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20 de jun de 2011

O Mundo precisa de Jornalistas


O Correio do Brasil, no dia 20/06/2011, fez a reportagem com o seguinte título: Para especialista, “mais do que nunca, o mundo precisa de jornalistas”.

Às vésperas do Global Media Fórum, a se realizar em Bonn entre segunda e quarta-feiras, a agência alemã de notícias Deutsche Welle conversou com Joel Simon, diretor-executivo do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) – organização internacional representada este ano na conferência em Bonn, cujo tema principal é “Direitos Humanos e Globalização: um desafio para a mídia”.

Qual a definição de jornalista?

Os jornalistas existem para colher e disseminar informação de relevância para a população.

As novas tecnologias garantiram que nos dias de hoje existam um número nunca visto de jornalistas cidadãos. Na Alemanha, o jornalismo não é profissão para o qual se precise de um diploma. Qualquer um pode ser um jornalista. Nós (do Comitê de Proteção aos Jornalistas) defendemos os direitos dos jornalistas profissionais, dos freelancers e dos jornalistas cidadãos.

Os blogueiros podem ser considerados jornalistas?

Blogueiros podem ser jornalistas. Nós usamos o bom senso para julgá-los (se podem ou não serem considerados jornalistas), se assim o quiserem. Quando estamos diante desta questão, avaliamos o blog desta pessoa. Lemos o blog no idioma original. Analisamos o contexto, como foi escrito, e julgamos a função do blog. Quase sempre chegamos a uma decisão.

Nem todos os blogs fazem jornalismo. Mas existem vários que são absolutamente jornalísticos, que condizem com o que nós entendemos por jornalismo e cujos autores têm direito de serem defendidos pelo Comitê.

A revolução online institucionaliza a habilidade da população de se engajar no jornalismo. Ela institucionaliza a capacidade (dos não profissionais) de disseminar conhecimento e escolher para qual público vai escrever o que pensa e vê. Mas estes jornalistas cidadãos não substituem profissionais com formação e experiência em meios de comunicação e investigação.

Em 2010, foi documentado 145 casos de detenção de jornalistas. Deles, 69 eram jornalistas da mídia online, a maioria era blogueiros. Até que ponto a revolução online muda o trabalho do Comitê de Proteção aos Jornalistas, que luta no mundo todo, pelo direito de reportar sem medo?

Quase todos os blogueiros detidos estão nas prisões por terem representado uma opinião. Eles escreveram comentários, em sociedades opressivas, onde não existem canais oficiais pelos quais se poderiam expressar opinião ou criticar o governo. Portanto, os afetados (pela repressão) optaram por blogs ou outras mídias sociais. Os governos atingidos perceberam rapidamente que os novos jornalistas cidadãos eram uma ameaça para eles e reagiram.

China e Irã são os que mais aprisionam jornalistas no mundo. Esses governos se sentem ameaçados pela habilidade dos jornalistas de coletar e disseminar informação em sociedades reprimidas.

Quem melhor pode relatar sobre a violação de direitos humanos: um jornalista cidadão, como blogueiro, ou um jornalista profissional?

Acredito que um reforça o outro. Os blogueiros alcançam quase sempre um público mais selecionado.

O trabalho do blogueiro, ou dos outros jornalistas cidadãos nas redes sociais, estimula o trabalho dos profissionais e da mídia. Estes podem publicar a situação para um público ainda maior.

A capacidade dos jornalistas cidadãos de se infiltrar no que está acontecendo, documentar secretamente a situação e depois publicar as informações é uma nova ferramenta de incalculável valor para os meios de comunicação profissionais.

Embora eu também acredite que as forças obscuras como os governos opressores, os bandos criminosos e os grupos radicais farão de tudo para prejudicar o trabalho dos jornalistas.











Por: Ernani Serra
Pensamento: Tolher a liberdade de expressão é um crime ao bom senso da humanidade.