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17 de jul de 2012

Lampião e Maria Bonita


Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião nasceu em Serra Talhada, em 04 de junho de 1898 e faleceu em Poço Redondo, em 28 de julho de 1938, foi um cangaceiro brasileiro.

Há grande controvérsia sobre a data de nascimento de Lampião. As mais citadas são:

07/07/1897 data do Registro Civil.

04/06/1898 data da Certidão de Batismo, uma das mais citadas na literatura de cordel.

12/02/1900 data dada a Antônio Américo de Medeiros pelo próprio Lampião em entrevista ao escritor cearense Leonardo Mota, em 1926, no Juazeiro do Norte.

Nascido na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semiárido do estado de Pernambuco e foi o terceiro filho de José Ferreira da Silva, conhecido como “Zé Ferreira”, natural da fazenda Carro Quebrado em Triunfo-PE, e Maria Lopes de Oliveira, conhecida como dona “Maria Jacoza”. O seu nascimento só foi registrado no dia 07/08/1900. até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura.

Uma das versões a respeito de seu apelido é que ele modificou um fuzil, possibilitando a atirar mais rápido, sendo que o cano aquecia tanto que brilhava dando a aparência de um lampião.

Sua família travava uma disputa mortal com outras famílias locais até que seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919.

Virgulino jurou vingança e, ao fazê-lo, provou ser um homem de atitudes violentas e rudes. Tornou-se um mito em termos de disciplina. O bando chamava os integrantes das volantes de “Macacos” – uma alusão ao modo como os soldados fugiam quando avistavam o grupo de Lampião: “pulando”.

Durante os 19 anos seguintes (começou aos 21 anos), Lampião viajou com seu bando de cangaceiros, que nunca ultrapassou o número de 50 homens, todos os cangaceiros, a cavalos e em trajes de couro: chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação de caatinga.

Para proteger o “capitão”, como Lampião era chamado, todos usavam sempre um poder bélico, potentes. Como não existiam contrabandos de armas para se adquirir, em sua maioria eram roubadas da polícia e unidades paramilitares. A espingarda Mauser e uma grande variedade de pistolas semiautomáticas e revólveres também eram adquiridos durante confrontos. A arma mais utilizada era o rifle Winchester.

Lampião foi acusado de atacar pequenas fazendas e cidades em sete estados além de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações, estupros e saques.

No nordeste do Brasil, sua história é contada diferente de todos os outros Estados do País. Lá, Lampião é conhecido como o Robin Hood do sertão brasileiro, que roubava de fazendeiros, políticos e coronéis da época do coronelismo brasileiro para dar aos pobres miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar familiares com inúmeros filhos.

Era devoto de Padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte.

Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 e, assim como as demais mulheres do grupo, vestiam-se como cangaceiros e participaram de muitas das ações do bando. Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932.

Há ainda a informação controversa de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias e Arlindo Gomes de Oliveira, mas nunca foi comprovada a verdade dos fatos, além de outros dois natimortos.

No dia 27/07/1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situado no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 05h15min do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o ofício e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, o bando foi pego totalmente desprevenido.

Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar.

Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o outo e as jóias.

A força volante da polícia militar de maneira desumana e cruel decepou a cabeça de Lampião e de Maria Bonita que ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. O mesmo aconteceu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luiz Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Marcela.

Feito essa barbárie, salgaram as cabeças e as colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensanguentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocada creolina sobre os restos mortais dos corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.

Depois de percorrer alguns estados do Brasil e até ficou em exposição no Museu Nina Rodrigues em Salvador na Bahia as cabeças decapitadas dos cangaceiros.

O enterro dos restos mortais (das cabeças) dos cangaceiros só ocorreu depois do Projeto de Lei nº2.867, de 24 de maio de 1965. Fonte: Wikipédia.

Comentário:

Lampião perdeu um olho quando estava fugindo da volante militar e foi atingido por um espinho quando atravessava os espinheiros de caatinga.

Quanto aos boatos que acusaram do bando cometer estupros, mutilações, sequestros e torturas, isso não passa de uma propaganda sem fundamento, dos fazendeiros que queriam a cabeça dos cangaceiros e faziam essas pichações para que a sociedade tivesse Lampião como um monstro, mas, na verdade os verdadeiros monstros foram os seus perseguidores que matavam os gados e faziam barbaridades e diziam que foi o bando de Lampião. Eles nunca foram estupradores porque todos tinham mulheres no acampamento. Os políticos da época junto com a volante conseguiram implantar o ódio na sociedade burguesa contra Lampião e seu bando.

Lampião foi um predestinado (estava escrito) de se tornar cangaceiro, que o levou a uma vingança contra os matadores de seu pai e a injustiça rural, que após ter feito justiça pelas próprias mãos contra os latifundiários ruralistas inimigos da família, Lampião foi perseguido e como não queria ser preso, preferiu lutar até a morte.

Ele era um homem pacato e honesto, e o destino o levou ao crime como justiceiro. Muitas gentes no Nordeste gostavam de Lampião e odiavam a volante militar do Estado.

Por: Ernani Serra
Pensamento: A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial.
William Shakespeare