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3 de ago de 2012

Carlinhos Cachoeira


Carlos Augusto de Almeida Ramos mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, nasceu em Anápolis em três de maio de 1963, é um empresário, foi preso sob acusações com o envolvimento no crime organizado e corrupção.

O nome de Carlinhos Cachoeira ganhou repercussão nacional em 2004 após a divulgação de vídeo gravado por ele onde Waldomiro Diniz, assessor do então ex-ministro da Casa Civil José Dirceu lhe faz pedido de propina para arrecadar fundos para a campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista Brasileiro no Rio de Janeiro.

Em troca, Diniz prometia ajudar Carlinhos Cachoeira numa concorrência pública carioca.

A divulgação do vídeo se transformou no primeiro grande escândalo de corrupção do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na gravação, Waldomiro Diniz aparece extorquindo Augusto Ramos (Cachoeira) para arrecadar fundos para a campanha eleitoral do PT e do PSB no Rio de Janeiro. No entanto, a ajuda de 2002 não ocorreu, razão na qual Cachoeira enviou a fita ao então senador Antero Paes de Barros, que por sua vez enviou ao Ministério Público de Brasília, na qual os repórteres da revista Época conseguiram a cópia e divulgou na mídia. Waldomiro Diniz deixou o governo no mesmo dia.

A oposição e até aliados do governo tentaram criar CPI dos Bingos, mas as manobras do presidente Lula barraram a criação, deixando o governo sob suspeita até o surgimento do Escândalo do Mensalão em 2005.

A divulgação das imagens de entrega de propina enfraqueceu a posição política influente do então ministro José Dirceu no governo, pois, Diniz era assessor direto e amigo de Dirceu por quase 12 anos (1992-2004). Após os escândalos e as graves acusações do envolvimento do ministro no esquema e ao caso não investigado de 2004, culminou no pedido de demissão do virtual então chamado Primeiro Ministro.

Em 29 de fevereiro de 2012, Carlinhos Cachoeira foi preso pela PF durante a Operação Monte Carlo, operação que desarticulou a organização que explorava máquinas de caça-níquel no Estado de Goiás por 17 anos.

Escutas da operação acabaram atingindo diretamente o senador da república Demóstenes Torres (DEM-GO), em conversas sobre dinheiro supostamente fruto de propina. Indiretamente, as investigações da Polícia Federal atingiram também as administrações dos governos de Agnelo Queiroz (PT-DF) e Marconi Perillo (PSDB-GO). Revelaram também as relações de Cachoeira com o jornalista Policarpo Júnior, da revista VEJA.

Em 1º de março, um dia depois da prisão, Cachoeira foi transferido para presídio federal de segurança máxima em Mossoró-RN, mas só foi noticiado no dia seguinte.

Gerou polêmica a contratação do advogado Márcio Thomaz Bastos, que foi ex-ministro da Justiça no governo do ex-presidente Lula, que entrou com pedido de Habeas Corpus para a soltura de seu cliente (Carlinos Cachoeira) pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, mas foi negado. Em nove de abril, Bastos entrou com segundo pedido de Habeas Corpus, mas foi negado novamente. Em abril, Cachoeira foi transferido para o presídio da Papuda.

Após a prisão, surgiram denúncias pela imprensa, através de divulgações da PF, em que Cachoeira tinha relações com: Senador Demóstenes Torres; Governador Marconi Perillo; cinco deputados federais (Sandes Júnior; Carlos Alberto Leréia; Stepan Nercessian; Leonardo Vilela e Protógenes Queiroz) e a chefe de gabinete do governador Perillo, Eliane Pinheiro, que pediu demissão em razão das denúncias.

Alberto Leréia (PSDB), que afirmou em discurso no plenário da Câmara ser amigo de Carlinhos Cachoeira, foi flagrado nas escutas telefônicas feitas pela PF durante a Operação Monte Carlo recebendo o código de segurança do cartão de crédito de Cachoeira, para que o deputado pudesse fazer uma compra na Internet.

Em nove de abril, é a vez de Cláudio Monteiro, chefe de babinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz pedir demissão após conversas suas aparecerem em gravações da PF.

Reportagens mostram ainda que a PF indiciasse a Construtora Delta, a maior empreiteira de obras do PAC do governo federal e que teve José Dirceu como consultor, como provável envolvido com o esquema.

Andressa Mendonça, companheira de Carlinos Cachoeira, também foi citada na Operação Monte Carlo como sendo suposta laranja do bicheiro Cachoeira na aquisição de uma fazenda de R$ 20 milhões entre Luziânia e Santa Maria (a cem quilômetros de Brasília). Diálogos interceptados na operação mostram que Cachoeira planejava fracionar e revender pequenos lotes da propriedade, rendendo até R$ 58 milhões.

Andressa Mendonça foi detida pela Polícia Federal por ter tentado intimidar o juiz federal Alderico da Rocha Santos, em seu gabinete, alegando estar de posse de um dossiê contra ele, o qual teria sido elaborado pelo jornalista Policarpo Júnior, chefe da revista VEJA em Brasília, e que tal dossiê seria veiculado pela VEJA, caso Cachoeira não fosse libertado. Andressa foi liberada da PF após garantir fiança de R$ 100 mil. Andressa está sendo monitorada pela PF e está proibida de ter contato com Cachoeira ou pessoas vinculadas ao processo da Operação Monte Carlo. A PF apreendeu, na casa dela, computadores, tablets, celulares e documentos.

A gravidade e repercussão do caso levaram o Congresso Nacional a criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito, denominada CPMI do Cachoeira. Quando convocado da prisão a depor na Comissão em 22 de maio de 2012, por orientação de seus advogados, Cachoeira permaneceu calado. Fonte: Wikipédia.

 
Por: Ernani Serra
Pensamento: A corrupção é uma doença epidêmica que se alastra e contamina uma sociedade através de propinas favorecendo o crime organizado (máfia).
Ernani Serra