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25 de ago de 2012

Cem Anos de Nelson Rodrigues



Nelson Rodrigues nasceu em Recife-PE, em 23 de agosto de 1912 e faleceu no Rio de Janeiro em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos.

Foi importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, o quinto de quatorze irmãos, Nelson mudou-se para o Rio de Janeiro ainda criança, onde vivera por toda sua vida. Seu pai, o ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues, perseguido politicamente, resolveram a família, estabelecer-se na então capital federal, (Rio de Janeiro) na época, hoje (Brasília), em julho de 1916, empregando-se no jornal Correio da Manhã, de propriedade de Edmundo Bittencourt. Na década de 1920, Mário Rodrigues pai de Nelson, fundou o jornal A Manhã, após romper com Edmundo Bittencourt. Seria no jornal do pai que Nelson começaria sua carreira jornalística, na seção de polícia, com apenas treze anos de idade. Nelson seguiu os seus irmãos Milton, Mário Filho (cuidava dos esportes) e Roberto (dos desenhos e ilustrações) integrando a redação do novo jornal.

Crítica era um sucesso de vendas, mas o jornal existiria por pouco tempo. Em 26 de dezembro de 1929, a primeira página de Crítica trouxe o relato da separação do casal Sylvia Serafim e João Thibau Jr. Ilustrada por Roberto e assinada pelo repórter Orestes Barbosa, a matéria provocou uma tragédia. Sylvia, a esposa que se desquitara do marido e cujo nome fora exposto na reportagem invadiu a redação de Crítica e atirou em Roberto com uma arma comprada naquele dia. Nelson testemunhou o crime e a agonia do irmão baleado, que morreu dias depois. Mário Rodrigues deprimido com a perda do filho faleceu poucos meses depois. Sylvia foi absolvida do crime.

Durante a Revolução de 1930, o jornal Crítica foi empastelado e deixou de existir. Sem o seu chefe e sem fonte de sustento, a família Rodrigues mergulha em decadência financeira. Foram anos de fome e dificuldades para todos. Com a situação de fome, os Rodrigues demorariam a se recuperarem da tuberculose.

Nelson conseguiu um emprego sem salário no jornal O Globo, só em 1932 é que Nelson seria efetivado como repórter no jornal. Pouco tempo depois, Nelson descobriu que estava tuberculoso. Seu tratamento foi custeado por Marinho, que conquistou a gratidão de Nelson pelo resto de sua vida. Recuperado da doença volta ao Rio de Janeiro e assume a seção cultural de O Globo.

Em 1940, Nelson casou-se com Elza Bretanha, sua colega de redação. Em 1945 abandonou O Globo e passou a trabalhar nos Diários Associados em O Jornal de propriedade de Assis Chateaubriand. Trabalhou no jornal de Samuel Wainer, a Última Hora, em 1950. No jornal, começou a escrever as crônicas de A Vida Como Ela É, seu maior sucesso jornalístico. Na década seguinte, Nelson passou a trabalhar na recém-fundada TV Globo participando de uma secção de jornalismo esportivo (futebol).

Nos anos 70, consagrado como jornalista e teatrólogo, a saúde de Nelson começa a decair, por causa de problemas gastroenteorológicos e cardíacos de que era portador. O período coincide com os anos da ditadura militar. Entretanto, seu filho Nelson Rodrigues Filho tornou-se guerrilheiro e passou para a clandestinidade. Nesse período aconteceu o fim do casamento com Elza e o início do relacionamento com Lúcia Cruz Lima, com quem teve uma filha Daniela, nascida com problema físico. Depois do término do relacionamento com Lúcia, Nelson ainda manteve um rápido relacionamento com sua secretária Helena Maria, antes de reatar seu casamento com Elza.

Nelson Rodrigues faleceu numa manhã de domingo, em 1980, aos 68 anos de idade, de complicações cardíacas e respiratórias. Foi enterrado no Cemitério de São João Batista, em Botafogo no Rio de Janeiro.

Depois de dois meses da morte, Elza atendia ao pedido do marido de gravar seu nome ao lado do dele na lápide do túmulo, sob a inscrição: “Unidos para além da vida e da morte. E é só”. Fonte: Wikipédia

Comentário:

A vida de Nelson Rodrigues foi cheia de altos e baixos, com uma família carregada de um destino trágico como: Seu pai foi perseguido pela política. Sylvia atirou e matou seu irmão Roberto Rodrigues, em seguida, Mário Rodrigues seu pai, deprimido com a morte do filho veio a falecer. Com o fechamento do jornal Crítica em 1930, a família entrou em decadência financeira, foram anos de fome e dificuldades para toda a família. Nelson Rodrigues ficou tuberculoso. As chuvas do trágico verão carioca de 1966 que mataram o irmão Paulo e toda família. O fim angustiante do primeiro casamento. As turbulências do segundo casamento. O nascimento da filha cega. As torturas infligidas ao seu filho Nelsinho no cárcere pelos militares.

Toda essa vida de infortúnio de Nelson Rodrigues marcou a personalidade desse grande homem que se imortalizou através desses acontecimentos trágicos. Não devemos criticar suas obras às vezes amargas, controversas, ofensivas e realistas da sociedade em que viveu. A vida o fez assim.

Nelson Rodrigues foi um escritor, jornalista e dramaturgo, elaborou no decorrer da vida, dezessete peças, nove romances, sete livros de contos e crônicas e milhares de artigos em jornais, isso é, uma miríade de conhecimento da vida humana.

Por: Ernani Serra
Pensamento: Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.
Nelson Rodrigues