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18 de out de 2013

Ratos Brasileiros


Quando Rodrigues Alves (1848-1919) assumiu a Presidência da República em 1902, sua meta era o saneamento da capital federal.    Naquele momento, o Brasil tinha como projeto político a sua modernização segundo os padrões europeus. As epidemias que atingiam o Rio de Janeiro, como a febre amarela, a varíola e a peste, eram vistas como indícios de atraso. 

Além das medidas que já vinham sendo cumprido, como as desinfecções e os isolamentos, Oswaldo Cruz combateram de maneira enérgica os vetores, isto é, os organismos que hospedam os vírus e as bactérias que causam as doenças. Criou as brigadas de mata-mosquitos para combater a febre amarela e a figura do caçador-comprador de ratos. Os “ratoeiros” tinham com obrigação recolher 150 ratos por mês, pelos quais recebiam 60 mil réis, o que serviria para comprar uma cesta básica na época. A medida criou um novo mercado e, é claro, virou tema de carnaval, como na polca “Rato, rato, rato”, composta por Casemiro da Rocha (1880-1912) em 1904. A música era sucesso carnavalesco, veja a seguir:

     Rato, rato, rato / Por que motivo tu roeste meu baú?
     Rato, rato, rato / Audacioso e malfazejo gabiru.
     Rato, rato, rato / Eu hei de ver ainda o teu dia final.
     A ratoeira te persiga e consiga / Satisfazer o meu ideal.
     (...)
     Rato velho, descarado, roedor / Rato velho, como tu faz horror!
     Vou provar-te que sou mau / Meu tostão é garantido
     Não te solto nem a pau!

Comentário
Infelizmente, os ratos continuaram a se espalhar por todos Estados e Municípios do Brasil e ninguém consegue acabarem com essa epidemia de ratos que se tornaram até corruptos em troca de queijos, outros petiscos e guloseimas. Os ratos brasileiros estão mais sofisticados e alguns só querem morar nos buracos dos palácios, lá sim, têm caviar, e comidas francesas, banquetes de muito refino que são apreciadas pelos gabirus que são os chefões das gangs e se tornaram intocáveis por não ter quem o persiga e nem armadilhas para pegar esses ratos que atormentam a população… 

Os que são pegos, logo, são soltos e até promovidos na sociedade da gabirulândia, nesses palácios reais os gabirus se vestem a rigor e parecem até que fazem parte da corte real do império da Inglaterra, eles andam de focinho levantado todo orgulhoso de pertencer àquela casta de mafioso, roedora dos interesses nacionais. 

Ainda tem a graça de roerem os papeis moedas nacionais e estrangeiras, que lhes dão um ar sofisticado de cidadão “honoris causa”, por que não, a um rato, se um analfabeto já recebeu essa comenda como se fosse autor de alguma descoberta científica e como fosse também um cientista renomado.  

Quem ousar chamar um caçador de ratos para exterminar essa gabirulândia, os ratos vão se revoltar e vão devorar quem o chamou e o caçador de ratos.




Por: Ernani Serra
Pensamento: Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É saber falar de si mesmo. É não ter medo dos próprios sentimentos.
Fernando Pessoa