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1 de dez de 2013

O Brasil do Ouro


O Brasil respondia pela metade da produção mundial de ouro no século XVIII.

Trezentos anos atrás, quem estivesse em busca de aventura e fortuna tinha o Brasil como destino certo. No fim do século XVII, a descoberta de ouro e diamante nos aluviões e contrafortes de Minas Gerais sacudiu o marasmo da colônia portuguesa, até então imersa por quase 200 anos na sonolência dos trópicos, e a transformou de repente numa Serra Pelada de dimensões continentais. Poucos lugares no mundo foram tão agitados e perigosos nesse período quanto o interior brasileiro.

O governador tinha razão. A região compreendida por Minas Gerais e as províncias vizinhas de Goiás e Mato Grosso, exploradas alguns anos mais tarde, era tão rica em ouro que, de 1700 a 1750, respondeu por metade da produção mundial desse minério. O primeiro carregamento de ouro do Brasil chegou a Lisboa em 1699. Levava meia tonelada. A quantidade foi aumentando até chegar a 25 toneladas em 1720.   No total estima-se que entre mil e três mil toneladas de ouro foram levadas á capital do império.

O historiador Tobias Monteiro (1866-1952) estimou que só de Minas Gerais foram despachadas para Portugal cerca de 535 toneladas de ouro entre 1695 e 1817, no valor de 54 milhões de libras esterlinas da época, ou cerca de 12 bilhões de reais corrigidos em 2008. Outros 150 mil quilos de ouro teriam sido contrabandeados no mesmo período. Em 1729, o fluxo de riquezas para a metrópole aumentou ainda mais com a descoberta das jazidas de diamante na colônia brasileira. O historiador Pandiá Calógeras (1870-1934) avaliou em três milhões de quilates, ou 615 quilos, o total de diamantes extraído no Brasil de meados do século XVIII ao começo do século XIX.

Com as descobertas de ouro e pedras preciosas a população da colônia passou de 300 mil para três milhões de habitantes em menos de um século. Só de Portugal, entre meio milhão e 800 mil pessoas mudaram-se para o Brasil de 1700 a 1800.

Ouro e suas aplicações
O ouro se tornou o mais apreciado dos metais, muito utilizado desde a antiguidade em joalheria, ourivesaria e decoração. 

Em joalheria, o ouro é geralmente empregado em liga com a prata e cobre (ouro amarelo), com níquel (ouro branco), paládio ou platina. O ouro puro diz-se ouro fino; e a liga com menor teor de ouro é chamada de ouro baixo. O ouro é classificado por quilate, que cada uma das partes em pelo do metal usado em liga. Uma liga de 12 quilates contém 50% de ouro, enquanto a de 24 quilates é ouro em estado puro. Quando os quilates são estipulados por lei, diz-se que o ouro é de lei. O ouro puro é demasiadamente mole para ser usado, geralmente é endurecido formando liga metálica com prata e cobre. 

Por sua elevada condutibilidade elétrica e resistência a agentes corrosivos, o ouro é empregado na indústria elétrica e eletrônica, no revestimento de circuitos impressos, contatos, terminais e sistemas semicondutores. Películas muito finas de ouro, que refletem mais de 98% da radiação infravermelha incidente, são usadas em satélites artificiais para controle de temperatura e nos visores dos trajes espaciais, como proteção. Da mesma forma, essas películas, aplicadas às janelas dos grandes edifícios comerciais, reduzem a necessidade de ar-condicionado e conferem maior beleza às fachadas. Na área de saúde, o ouro tem aplicação na odontologia, para obturação, e o ouro radioativo se usa na cintilografia do fígado.

Mais de metade da produção mundial de ouro é adquirida pelos bancos centrais de todos os países para construírem reservas monetárias. Além disso, como garantia do papel-moeda em circulação, o ouro pode ser utilizado para cobrir diferenças nas balanças de pagamentos dos diferentes países.

A adoção do ouro como unidade de conta pelos diferentes sistemas monetários conduziu ao estabelecimento do padrão-ouro, posto em vigor pela primeira vez no Reino Unido em 1821. Tal padrão estipulava relações fixas pelas quais qualquer moeda poderia ser convertida em seu valor em ouro. Depois da I Guerra Mundial, no entanto, o número de países que garantiam a conversão da sua moeda em ouro passou a ser cada vez menor, e a prática foi totalmente extinta, após ser abandonado pelos Estados Unidos, último país a adotá-la. 

Serra Pelada
A Serra Pelada é uma serra brasileira localizada no estado do Pará no Brasil. 

Tornou-se muito conhecida na década de 1980 por uma corrida do ouro moderna, tendo sido o local do maior garimpo a céu aberto do mundo, de onde foram extraídas, oficialmente, 30 toneladas de ouro. 

Descoberta
Oficialmente a extração começou com um pequeno sitiante que ao cavar um pé de bananeira encontrou uma estranha pedra e ao mostra-la em um bar espalhou-se a notícia de se tratar de diamante. Em duas semanas já tinha garimpeiro do Brasil inteiro. A festa durou cerca de oito semanas quando a União interveio na área. A história divulgada é de que a Serra Pelada, em 1976, quando um geólogo encontrou amostras de ferro no sul do Pará. Em 1979, um garimpeiro encontrou ouro no local.

Em 21 de maio de 1980, o governo federal promoveu uma intervenção na área, já ocupada por mais de 30 mil garimpeiros. 

Uma característica peculiar do ouro de Serra Pelada é a quantidade de paládio – um elemento do grupo da Platina – que ocorre junto com o ouro e que determinava as variedades comercializadas no garimpo, e que eram respectivamente:

1 º O ouro amarelo, com 1 a 2% de Paládio;
2º O ouro fino, com 6 a7% de Paládio;
3º E o ouro Bombril, com teores superiores a 9% de Paládio.
Em 1980 foram retiradas 7 toneladas de ouro. 

Comentário
É esse Brasil tão rico e que continua tão pobre de espírito e de um povo que continua escravo de uma política internacional.

Povo otário que se deixa ser ludibriado por políticos corruptos e são governados como canoas. O nosso povo é igual as suas origens miscigenadas: Índio (preguiçoso), preto (escravo), branco (corruptos e degredados); essa é a herança que foi dada em nosso DNA. 

Até a presente data, nenhum político foi capaz de usar o ouro para o equilíbrio financeiro de nossa moeda, só fazem planos: Collor, Cruzado etc., que não chega a lugar nenhum. O povo por sua vez, não é capaz de ir às ruas para reivindicar essas fontes de riquezas que estão sendo pirateadas internacionalmente, ficam a mercê de um político para organizar essas passeatas políticas que não servem para nada.

Na década de 1980, tivemos uma crise violenta e os políticos fizeram miséria com o povo, só não se lembraram de que poderia tirar esse mesmo povo da miséria socioeconômica e financeira através da descoberta do ouro em Serra Pelada naquele mesmo ano. Que nada, deixaram que o ouro fosse contrabandeado ou dado de presente aos países do primeiro mundo. Esse é o país que gosta de ser um filantropo. 



Por: Ernani Serra
Pensamento: Quem dá o que tem a pedir vem.
Ditado Popular